Danke Club, em Juiz de Fora, comemora seu primeiro ano de vida

Por Luigi Vanucci e Luiza Serrano

Fotos: Gutah

Em uma época onde vemos vários clubs fechando as portas, os DJs Capute e Moa celebram uma ainda curta, mas importante, caminhada do Danke Club, em Juiz de Fora. Há um ano, o club abria as portas com uma noite inesquecível, com o grande artista francês Olivier Giacomotto entre as atrações.

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Estreando com o pé direito, o club trouxe uma nova proposta para a cidade, onde diferentes sonoridades são mais do que bem-vindas. Inspirado na Alemanha e sua forte ligação com a música eletrônica, o Danke tem o corvo como mascote, com sua pista batizada de Ninho. Antes de cair na pista, o público pode desfrutar do Haus Pub – um ambiente descontraído, com drinks, cervejas artesanais, um menu bem especial, música ao vivo e muitos sorrisos. Mas quando o Ninho abre as portas, tudo se transforma. A arquitetura moderna do local, alinhada à sua incrível iluminação e um som de primeira qualidade entregam uma experiência única e acolhedora. O amanhecer fica ainda mais especial e charmoso com sua parede de vidro lateral.

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Por lá, já passaram inúmeros artistas talentosos – DJ Glen, Mat.Joe, Sugar Hill, Alex Stein, Fabrício Peçanha, Eli Iwasa, Leo Janeiro, Albuquerque, Devochka, Ciszak, Bruno Furlan, Groove Delight, Breaking Beattz, Pimpo Gama, Clubbers, Vanucci, Ekanta, Boghosian, Malik Mustache, Bry Ortega, Barja, Bruce Leroys, GroundBass, Tough Art, Bruno Be, Dang3r, Flow & Zeo, Fractall, Rocksted, Joy Corporation, TouchTalk, Nicolau Marinho, Rodrigo S., Djonga, Papatinho, Shawlin e muitos outros fazem parte da lista extensa de atrações que o club recebeu.

Como podemos perceber, o carro-chefe da casa é a música eletrônica em geral e sua busca pelas novidades, mas o rap e o high BPM também têm um lugar especial no club. Além disso, são realizadas algumas festas temáticas com parceiros da região – são festas direcionadas para um público mais novo, as chamadas matinês; ou até mesmo para um público mais maduro, que antes do Danke, não tinha onde se divertir na noite.

Mas como essa história de criar um club começou?

Moa era mais dos clubs, e Capute das festas open air. Há anos atrás, em um aniversário de uma amiga em comum, se conheceram e deram início a uma parceria e amizade que rende ótimos frutos. Além de criarem a festa Fresh, eles iniciaram o projeto Capute & Moa, se tornando um b2b que fez a dupla percorrer todo o país. Com uma bagagem somada de mais de 40 anos de experiência na noite, inquietação é o que não falta para eles, e agora vivem o desafio de gerir um club de música eletrônica em Juiz de Fora. 

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Capute e Moa

“Desde os meus 14 anos tinha vontade de ter meu próprio club. Quando conheci o Moa, vi que ele também tinha esse sonho. Gostamos da cultura eletrônica e buscávamos vários caminhos dentro dela, além de nos apresentarmos como DJs. Um tempo depois de criarmos a festa Fresh, começamos a falar sobre abrir um club. Até a idéia amadurecer, encontrar um local e os sócios certos para entrar nessa loucura, foram mais ou menos quatro anos”, conta Capute.

Os “loucos” que toparam fazer parte dessa ideia são João Guilherme e Bruno Coelho. “O João e e Bruno são partes fundamentais no projeto e sem eles nós não conseguiríamos. Eles têm qualidades que nós não temos e chegaram pra somar. Depois disso, foram quase uns 18 meses para a finalização do projeto e término da obra. A idéia foi sempre contribuir com a nossa cena de alguma forma, ter um lugar na nossa cidade onde podemos tocar um som diferente.

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Moa, Capute, João Guilherme e Bruno, amigos, “loucos” e sócios do club

Mas o desafio é grande para essa turma, já que a cultura clubber tem diminuído cada dia mais, em uma cena na qual os festivais chegaram em peso, influenciando a noite. E como se não fosse suficiente, as burocracias brasileiras e os inúmeros impostos que dificultam qualquer negócio são mais dores de cabeça para quem quer empreender por aqui. “Vivemos um momento incerto. Não sabemos quando esse momento delicado da economia vai melhorar ou até mesmo se vai melhorar. Ainda temos festas e festivais batendo de frente com as noites nos clubs do Brasil. E tem mais – nós concorremos com o Netflix, com a internet, com o crescimento do seguimento de bares e com a diminuição do interesse das pessoas nas relações interpessoais. É um momento para trabalharmos contra esse movimento”, diz Capute.

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Como remar contra a maré? O Danke Club oferece um lugar com um dos melhores sistemas de som de Minas Gerais, uma acústica digna do seu investimento e um sistema de controle de iluminação alemão Madrix impecável. Com uma equipe, ou melhor, família, como se consideram, ainda há a opção do cliente chegar antes para aproveitar o Haus Pub. “É viciante levar alegria e diversão para as pessoas, e eu acho que isso nos ajuda a prosseguir. Garantimos que tudo é feito com muito amor e talvez esse seja o segredo do nosso contrafluxo. Além disso, procurar fazer aquilo que ninguém faz, ser diferente e estar sempre um passo na frente. Procuramos dar ao público aquilo que gostaríamos de receber como clientes. Erramos, somos humanos, mas estamos em busca do nosso melhor e da nossa superação”, completa.

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Outro grande diferencial do club é o intenso trabalho com os residentes. Sabemos que toda cidade tem suas dificuldades, e em Juiz de Fora, não é diferente. Assim como em outros nichos e profissões, existem os grupos que se unem por suas afinidades, mas o Danke dá espaço para todos divulgarem o seu trabalho e talento. Na festa Santo de Casa, apenas DJs e produtores da região participam do line up. “A idéia é dar oportunidade para todo mundo independente do grupo no qual participa”, enfatiza Capute. E ainda existe um fortalecimento dessa união entre os grupos – o trabalho de cada residente é praticamente o de uma formiguinha, que contacta um por um, falando com os amigos, chamando-os para vê-lo tocar, fazendo também as próprias festas, movimentando a cena, levando novas sonoridades para a pista e formando o público todas as noites – fazendo cada set se tornar uma nova experiência. Capute acredita que o residente precisa ser um pesquisador assíduo, buscar sempre novas tendências, conhecer bem o seu público e respeitar os outros DJs que se apresentam na noite. 

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Com toda uma organização, programação, e, acima de tudo, um amor enorme pelo que fazem, os corvos da Danke já prometem um segundo semestre avassalador. Começando pela comemoração de um ano da casa, com Betoko, neste sábado, dia 4 de agosto. Na sequência, o grego Hi Profile, o alemão Fabio Fusco e os brazucas Dakar e Re Dupre e o fenômeno do rap, Matuê. Parece ser só o início dessa grande história que o Danke Club está prestes a escrever. E você, já conhece o Ninho do corvo?

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