Por Luiza Serrano
Foto de abertura; Diego Jarschel
Sempre tive vontade de conhecer o club número 1 do mundo. Apesar de morar distante de Balneário Camboriú, pensava: “ainda quero conhecer esse lugar”. Assim como a distância territorial, que fazia essa realidade perder de vista, sempre estive motivada por aquele sentimento que dizia que um dia eu conheceria o Green Valley.
Bom, demorou um pouco, mas valeu a pena! O dia 21 de julho elevou as minhas definições de noite inesquecível. Vida longa Winter Music Festival! Antes mesmo de chegar a Balneário, em uma breve passagem por Joinville, senti que essa seria a oportunidade perfeita de ir ao Green Valley. Um “uberista”, durante um percurso pela cidade, me disse que eu deveria conhecer o festival e que ele, e os amigos, não viam a hora de chegar ao Winter. Logo tive certeza de onde eu estava me metendo!
E tudo passou muito rápido! Me arrumei cedo porque a ansiedade era enorme. Coloquei um casacão, porque a noite parecia que seria fria e let’s go, partiu GV! O anúncio das quatro pistas e dos 40 artistas, divulgados amplamente, já mostrava que o público seria enorme, mas não esperava que fosse tanto
Logo na chegada vi a intensa movimentação do público. Me vi compartilhando uma ansiedade que não era só minha, mas de muitos que estavam ali, e entrei com o pé direito no club número 1. Uau! Que lugar!
Ainda não era 22h e as pistas já estavam lotadas, com a galera sentindo a vibe dos artistas que se apresentavam. Comecei pelo Main Stage. Um mar de gente vibrando boas energias, comandado por artistas em ascensão e outros já consolidados. A diferença entre eles? Apenas a pegada dos sets, porque de qualidade não havia diferenças. Estavam todos ali querendo fazer a melhor apresentação de suas vidas, e eu querendo ter a melhor noite da minha.
Palco, luzes, efeitos, tudo funcionando em sintonia com o clima da festa, que, nessa altura, para mim já estava quente. O único nome internacional do palco, Sharam Jey, não decepcionou, e colocou todo mundo para dançar ao som de hits e tracks novinhas em folha, assim como os outros DJs brazucas escalados, que deram um verdadeiro show.
Um pouco mais adiante, o Valorize o Groove. Lá estavam artistas de cidades como Belo Horizonte, Brasília, Londrina, Bahia e Curitiba. Fiquei sabendo que a pista é aberta sempre nos eventos do Winter Music Festival, e que não funciona normalmente em outras festas, mas que pressão. Sonzeira cortando na alta! Raul Mendes, Luigi Vanucci e Pill foram alguns dos nomes que fizeram o tempo esquentar por lá. O front foi um show a parte. Dava para ver que as pessoas estavam ali porque queriam prestigiar os artistas e curtir o som que cada um mandava como se fosse a última vez que fossem tocar.
Caminhando mais à frente, um corredor de respiro ligava ao palco Lagoon, onde os BPMs mais altos comandavam a galera. No momento em que cheguei por lá, Claudinho Brasil fazia uma interpretação digna de Oscar cantando os versos de Oh Mama Mia. E o melhor, a pista toda cantava com ele, como um maestro. Foi de arrepiar! Parecia que o frio não existia ali: corpo e coração quentes.
Bom, mas eu queria ver mais e estava pronta para conhecer a última pista. Ainda emocionadíssima em estar ali, fui em busca do Techno/Tech House do Underline. O público estava completamente empolgado com o som. Parar na pista definitivamente não era opção para quem estava ali. Max Chapman, o único gringo do line não decepcionou. Foi de arrepiar! E na sequência, San Schwartz e em seguida Vivi Seixas assumiram o comando das pick ups para encerrar com chave de ouro essa minha primeira vez no Green Valley. A finaleira contou com uma pegada 90’s da Vivi que, sinceramente, emocionou. Ninguém queria ir embora. Eu, particularmente, só fui embora quando realmente o som desligou e me dei conta que aquela noite tinha passado em um piscar de olhos.

Foto: Rude
Mas o que tem nesse festival e nesse lugar de tão diferente que, confesso, me emocionou do início ao fim? Acho que a energia é um grande diferencial, assim como toda a estrutura. Mas o clima do Winter, com artistas consolidados e outros conquistando seu espaço na cena eletrônica, fazem total diferença. Assim como eu, muitos deles estavam ali pela primeira vez, então imagina o quanto o set tinha alma? A distância dos palcos, devido ao tamanho do club, não foi nada. Sentia que todos estavam em busca de ouvir o que fizesse cada um feliz, independente do estilo. Uma grande celebração a música.
Sai de lá suspirando e pensando que terei que aguardar 365 dias para a próxima edição. Bom, agora não mais. A música, as sensações, as projeções, as pessoas, os detalhes. Provavelmente não conseguirei passar as emoções que senti com todos os detalhes, mas se eu posso dar uma boa dica é se programar para conhecer esse festival que há 11 anos emociona artistas e fãs como eu.
