House Mag no front: a experiência de uma primeira vez na pista do Caos

Por Luara Baulé

Foto de abertura: divulgação

O último dia 30 de maio não foi um feriado qualquer. A situação do país estava crítica e, com a greve dos caminhoneiros, todos se perguntavam se o evento iria de fato ocorrer. Era notável a preocupação por parte da equipe e também do público, que durante toda a semana manifestou-se pela redes sociais pedindo para que o mesmo acontecesse. Assim, após a confirmação da própria Eli Iwasa e do club nas mídias, todos se comprometeram para a realização da festa, que estava linda e com um line up digno de se jogar na pista!

Cheguei em Campinas pouco após a meia noite, e ao me aproximar do club era perceptível que a noite seria especial; as filas já estavam bombando, afinal, com um line composto por Leo Janeiro, ANNA, Gui Boratto e Renato Ratier, era de se esperar muitos interessados, que viram no feriado a oportunidade perfeita para conhecer ou retornar ao club. Além da facilidade da localização, que se torna um baita diferencial, eu, por exemplo, fui de São Paulo e a entrada para a casa é de fácil acesso pelas rodovias. A noite bombou, sold out, e muita gente, infelizmente, não conseguiu entrar, mas quem entrou, certamente viveu momentos inesquecíveis. Quando entrei, embora ainda um pouco vazia, a pista já estava animada, com Leo Janeiro no warm up despertando curiosidade sobre o que seria estar ali naquele dia. Logo me fez pegar uma cerveja!

Em seguida entrou Gui Boratto, assumindo o comando da pista por volta das duas da manhã. A casa já estava bem cheia e fiquei feliz em estar ali, fazia um certo tempo que não curtia tanto a vibe de um lugar. Embora lotado, estava ainda confortável, e a iluminação (ou a falta dela), com aquela escuridão envolvente, deram o toque final para se sentir imerso; a acústica muito bem planejada se unem a trilhas sonoras de sets incríveis e carregados de emoção, tudo muito bem pensado para se apreciar um bom techno.

Gui tocou muitas músicas novas do “Pentagram”, seu novo álbum que será lançado este mês ainda pela Kompakt (confira entrevista exclusiva com ele sobre o novo álbum aqui), entre elas, a Forgive Me, que deu um efeito dançante mais sério na pista, em meio a algumas faixas clássicas como The Drill e No Turning Back. Foi lindo!

<< Confira aqui a entrevista exclusiva com Gui Boratto sobre o seu novo ábum, “Pentagram” >>

Já eram quatro da manhã quando a ANNA assumiu o controle das pickups, e foi engraçado ver como nossa brasileira que hoje mora em Barcelona conseguiu brilhar mesmo em meio à iluminação especial que a casa proporciona, dando a ideia de um verdadeiro “caos”, digamos, ordenado. Um casamento perfeito com o som envolvente e hipnotizante da ANNA. O tempo todo eu pensava em pegar meu celular e gravar, mas simplesmente não conseguia, eu só queria dançar! O som nos contava histórias, em um repertório incrível, mostrando porque é um dos maiores nomes que representam o protagonismo feminino na cena atual. Dos momentos mais emocionais, o que foi aquela track Planeta do Arbat quando ela tocou!? Sem palavras… 

Lembro da pista totalmente feliz depois desse set incrível da ANNA! Chegou então o Ratier em um momento importante e de grande responsabilidade, às sete da manhã, mas que ele soube muito bem manter, misturando tracks nostálgicas, carregadas de sentimentos bons, como a Born Slippy, do Underworld, e Blue Monday, do New Order, em meio ao seu techno.

Uma das imagens que mais me marcaram durante o set do Ratier foi a de uma mulher já de mais idade que estava no front e cantando todas as classics de uma maneira de arrepiar quem assistia. O público do Caos sabe se jogar! E o titio do after segurou a pista até às onze da manhã, ou seja, aquela esticada clássica do Ratier, que sabe agradar e acaba chamando todo mundo para um after! Finalera de um line “estelar”. Que seja a primeira de muitas que eu pegue, Caos!   


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