Por: Daniela Freitas
Foto: Diego Jarschel
Não é de hoje que a comunidade da música eletrônica no Brasil dança aos beats de um cara mascarado que, entre influências diversas que vão desde o bass house ao electro, parcerias consistentes e produções elogiadas tanto por feeling quanto por técnica, conquistou as pistas usando o codinome Beowülf, inspirado na lenda de um guerreiro nórdico que derrotava grandes monstros a pedido de reis.
Através de agenda cheia de shows de Norte a Sul e do lançamento de hits como “Suavemente”, produzido em parceria com outro grande talento emergente, o KVSH, “Plomo”, lançada na Armada Deep, sub-selo da gigante Armada, de Armin van Buuren, e “Like Home”, com Felguk, o artista fez muito barulho — foram até o momento mais de 30 milhões de plays nas plataformas digitais — e conquistou uma base de fãs invejável dentro da nata do eletrônico brasileiro. Só agora, porém, um ano e meio depois, revelou sua verdadeira identidade: primeiro no último sábado, 21, no Winter Music Festival que aconteceu no Green Valley, e também na noite de terça-feira, 24, com um post no Instagram que causou um alvoroço na comunidade eletrônica.
Sabendo que o DJ e produtor carioca raramente dá entrevistas e que tirou a máscara primeiro no Winter Music, festa organizada por nós da House Mag, ficamos curiosos para saber um pouco mais sobre essa decisão, sobre o que vem rolando na sua carreira e sobre o que ele prepara para o futuro. Fomos atrás então do João Caracas, o cara por trás da bandana do Beowülf, para te dar estas informações em primeira mão. Confira a entrevista abaixo:
HOUSE MAG: Obrigada por essa entrevista! Quando o projeto Beowülf surgiu, no que você se inspirou para criar sua identidade visual com esta bandana, e por que exatamente escolheu usar esta máscara?
BEOWÜLF: Sempre um prazer falar com vocês! Bom, eu ocultei a minha identidade esse tempo todo devido ao meu projeto anterior, Johnny Glövez. Como Johnny, eu comecei sendo residente em clubs e festas no Rio de Janeiro, e com o passar do tempo consegui conquistar bastante coisa legal.
Toquei no Brasil e no exterior… Vegas, LA, Miami, Atlanta, Boston, Washington, Mykonos, Barcelona, Amsterdam, Hvar, entre outras, e também tive a oportunidade de tocar ao lado de alguns dos maiores nomes da EDM mundial em grandes eventos. Depois que comecei a produzir, lancei algumas tracks que chegaram a se tornar trilha sonora de novelas, tocaram nas rádios brasileiras, clipes na TV e tiveram support de big names. Só que chegou um momento na minha vida em que eu não me sentia satisfeito com certas coisas na minha carreira, então quis fazer algo novo, do zero, que tivesse mais a ver comigo.
Foi aí que comecei a produzir umas tracks sem me preocupar muito em agradar os outros, mas agradar mais a mim mesmo. Por ser um som bem diferente do que eu fazia antes, precisei criar uma nova identidade para lançar as tracks. Como o Johnny Glövez era um projeto conhecido, eu queria me desassociar dele para que as coisas funcionassem da forma que eu precisava. Eu queria que as pessoas gostassem das musicas pelo que elas sao, e nao por quem esta por tras delas. Nao por quem eu sou, ou pelo que eu ja fiz.
E como eu sou fã de Slipknot e Malaa, escondi meu rosto com a bandana e fui com tudo!
HOUSE MAG: E desde então você vem tocando encoberto por ela, gerando curiosidade em muitos fãs que se perguntavam sobre sua verdadeira identidade, até então nunca oficialmente revelada. Que motivos o levaram a revelar sua identidade agora?
BEOWÜLF: Eu senti que o projeto estava indo bem, eu estou muito animado e motivado, e chegou a hora de uma nova fase onde quero me conectar melhor com quem curte meu som. Ocultar a identidade foi algo necessário para que o projeto corresse livre, sem nada prendendo. E agora que meu foco já vem sendo 200% no Beowülf há certo tempo, foi hora de relevar a todos, ainda que muita gente já soubesse hahaha
HOUSE MAG: No Green Valley foi a primeira vez que você tirou a bandana em uma gig? Como foi a sensação? E de agora em diante, pretende começar a tocar sempre sem bandana?
BEOWÜLF: Sim, foi a primeira vez. Baixei a bandana na última música, era o meu remix de “Shout”, e rolou uma vibe muito irada com toda a galera que tava ali na frente. Muitos do fã-club com bandeiras, bandanas, e cartazes foram pegos de surpresa e foi incrível ter a oportunidade de fazer isso no club número 1 do mundo. E sim, vou continuar tocando de bandana durante meus sets!
HOUSE MAG: A bandana do Beowülf se tornou um objeto de desejo de muitos fãs, vemos inúmeros comentários de pessoas pedindo uma. Ela será comercializada? Quais os planos para ela?
BEOWÜLF: Quando inicialmente pensei na bandana, nunca achei que ela fosse se tornar algo tão grande entre a galera! Muita gente me pergunta diariamente como conseguir uma, tanto nas redes sociais quanto nos shows. Estamos agora no processo de fazer a loja online, onde também venderemos os bonés e outras coisas. Se tudo der certo, sai no próximo mês. Então, você aí que tá querendo uma bandana, segura um pouco que já já vai rolar :)
HOUSE MAG: Você tinha um projeto anterior chamado Johnny Glövez, o qual possui uma identidade musical diferente do Beowülf. Quais você diria que são as principais diferenças entre o Johnny e o Beo? Pretende voltar a atuar como Johnny algum dia?
BEOWÜLF: Como Johnny eu cheguei a produzir muita coisa diferente. De big room a moombahton, deep house a electro, e misturei bass house com funk. Fiz isso pois sempre gostei muito de experimentar, fui tentando diversos públicos e mercados diferentes. Como Beowülf eu foquei mais na galera eletrônica mesmo. Acabei tomando gosto em produzir essa linha de som, pois gosto de música com atitude, que mexe com você hehehe. Não pretendo voltar a tocar como Johnny Glövez… ele meio que acabou se tornando minha pessoa mesmo!
HOUSE MAG: Falando um pouco de produção, o ponto forte do Beowülf, a “Gypsy”, sua última track lançada em parceria com o LOthief pela Hub/Sony, traz elementos orientais em meio a vocais que ficam na cabeça. Você pretende continuar experimentando sonoridades em suas próximas tracks?
BEOWÜLF: Com certeza! Não gosto de ficar preso a um tipo de som específico, estou sempre buscando novas influências. Por enquanto continuarei seguindo essa linha atual, só que umas tracks mais leves e outras mais pesadas, é claro.
HOUSE MAG: Só este ano você já lançou 6 músicas com diferentes pegadas e tocou em grandes eventos, inclusive o nosso último Winter Music. O Beowülf atualmente está se divertindo mais em estúdio ou nas pistas de dança?
BEOWÜLF: Pergunta difícil de responder, mas acho que na pista! É muito irado tocar suas músicas e ver a galera pirando! Não existe sentimento melhor, isso não tem preço. Mas, aquele momento no estúdio que você acerta o drop ou encaixa aquela melodia é igualmente difícil superar.
HOUSE MAG: Quais serão seus próximos passos e lançamentos?
BEOWÜLF: Não necessariamente nessa ordem, tem o remake de “Infinity” com os Cat Dealers, que vai sair na Armada, tem um remix oficial pro GoldFish também pela Armada e está quase pronta a collab com o Sadan (1 Kilo), Skullwell e Blando. Fora isso, tem collab com o KVSH e várias outras aí que não vejo a hora de lançar! Pretendo continuar a explorar o Brasil, estreando em novas praças e quem sabe em novos países. Tem algumas surpresas vindo aí, mas isso eu deixo para falar depois ;)
