Por Manoel Cirilo
Foto de abertura: divulgação
Viver no lado oeste do globo, concede a todo nós uma grande liberdade de expressão e também de acesso a todo tipo de arte. Contudo, se desviarmos um pouco nossa atenção do ambiente que nos envolve e observarmos o que acontece logo aqui ao nosso lado, em países do Oriente Médio, é possível perceber que a coisa é bem diferente.
A dupla de DJs iraniana Blade&Beard, formada por Arash Sharam e Anoosh Raki, são um exemplo vivo dessa realidade que até os dias de hoje divide os dois lados do globo. Amantes declarados do Techno, os dois amigos nem sempre puderam expor esse gosto tão abertamente, muito menos desempenhar seu trabalho enquanto ainda viviam em sua pátria natal. Música eletrônica é proibida no Irã e o bloqueio de controle ao acesso a internet, tal qual acontece na China, dificulta o acesso a esse tipo de material.
Mesmo assim, Arash e Anoosh não se deixaram ser oprimidos pelo controle do governo e foram em frente com seu objetivo de viver de música e produzir um som no qual acreditavam. Em um país onde o preço pela liberdade pode ser alto demais, o duo de DJs seguiu produzindo suas músicas, fazendo raves clandestinas nos desertos de Tehran e tentando vender seu trabalho ao da perseguição estatal que chegou a colocar um deles atrás das grades.
O bilhete para a libertação dos DJs desse cenário limitador de seu talento veio através de um convite para tocarem no Streetparade de Zurich, um dos maiores festivais de Techno do mundo. Após a apresentação na Suíça, a dupla resolveu pedir exílio de sua terra natal e hoje promovem sua música pela Europa, continente que os recebeu e ao qual hoje chamam de lar. Toda a trajetória de Blade&Beard como pivôs da cena underground iraniana, até sua possibilidade de viver em liberdade fora do país, é contada no documentário “Raving Iran”, da diretora alemã Susanne Regina Meures, lançado em 2016.
