Alex Justino se prepara para tour com quatro datas confirmadas na China

Por Alan Medeiros

Foto de abertura: divulgação

O que verdadeiramente faz a diferença na carreira de um artista da música eletrônica no Brasil? Consistência pode ser considerada uma palavra chave em comum entre os nomes mais consolidados do cenário. O DJ e produtor goiano Alex Justino apresenta tal característica tanto em seu projeto solo, quanto a frente da Nin92wo, gravadora que Alex tem como casa desde o começo da década.

Atualmente, Justino apresenta sua música para diferentes partes do Brasil em dois formatos: DJ set com possibilidade de inserção em diferentes horários e situações, e seu live act, que tem o trabalho de estúdio como foco principal. Lançado no ano passado, o live de Alex já passou por algumas das pistas mais tradicionais do país e, em junho, aterrissa na China para uma tour de quatro datas: três clubs e um festival na Muralha da China, o Yinyang Music Festival

Com uma cultura totalmente diferente da vista nos países do Ocidente, viajar para China com a possibilidade de apresentar a sua arte é um privilégio raro. Justino tem não somente a chance de representar o país, mas também a possibilidade de fazer história na dance music brasileira. A nosso convite, Alex Justino comentou alguns dos pontos mais importantes sobre a sua carreira.

HM – Praticamente um ano se passou desde o lançamento do seu live. Qual o balanço dessa jornada até aqui?

O balanço é totalmente positivo. Hoje posso dizer que estou satisfeito feliz com o live e as apresentações, amadureci muito minhas músicas e até mesmo o processo de criação. Tudo andando no seu tempo e acho que deve melhorar cada vez mais. O live, na verdade nunca estará pronto, porém está em constante transformação, e isso é uma das coisas mais legais do formato. 

HM – Nos últimos anos, percebo que você tem lançado menos, porém, com mais qualidade. Isso tem alguma relação com alguma mudança no seu processo criativo?

Sim, na verdade andei experimentando muito em estúdio, criando bastante e estudando várias técnicas, mas sem fechar músicas de fato. Fechei alguns lançamentos e remixes, mas um número muito menor do que eu era acostumado. De agora em diante vai começar a sair mais faixas e ramificações destes experimentos. Adianto que a espera valerá a pena.

HM – A cena de música eletrônica no Brasil é um tanto quanto instável, mas é possível dizer que o techno passou por um momento de consolidação que já tem perdurado por alguns anos. Daqui para frente, como você enxerga o futuro do estilo por aqui?

Acho que este é o melhor momento do techno e sou bem otimista quanto a isto. Claro que tudo pode acontecer, mas acho que as pessoas estão assimilando melhor o som e cada vez mais artistas com qualidade estão produzindo e entregando boas músicas. Caso continue nessa crescente, não vejo motivo de mudança negativa em um futuro próximo. Se as pessoas continuarem gastando sua energia no que gostam, certamente isso só soma para a música e, consequentemente, para o techno também. 

HM – A Nin92wo é uma das poucas gravadoras brasileiras que realmente trabalha com uma filosofia de equipe. O que esse formato de trabalho traz de melhor?

Tento trabalhar junto com os artistas, pois sei que lançar por lançar não faz muito sentido nos dias de hoje. A força de uma equipe trabalhando é muito maior do que a de uma pessoa apenas trabalhando, e todos saem ganhando com isso. Cada dia mais vejo nomes com talento por aí e acredito que um apoiando o outro só iremos mais longe. 

HM – Musicalmente falando, para quais rumos o som do Alex Justino está indo neste momento?

Estou criando sem direção. Se tudo der certo, ainda teremos um álbum este ano. A sonoridade é diversa. Tenho feito techno pra pista, melódico, experimental e até arriscando alguns breaks. Tenho gravado algumas coisas, mas nada muito rotulado. Vou criando e depois vejo onde chegarei com isso. A ideia é dar asas ao momento no estúdio e ver até onde vai.

HM – Novidades, tours, lançamentos: o que você está projetando para o restante de 2018?

Tenho um EP que provavelmente sairá pela Nin92wo, 3 tracks novas e posteriormente alguns remixes. Também estou trabalhando em um álbum, que deve sair até o final de 2018, se tudo der certo. Algumas datas que estão por vir são em Goiânia, São Paulo, Rio de Janeiro e a tour na China, com três data em clubs e um festival. Estou muito animado pra tudo isso. 

HM – Na sua opinião, qual a chave para longevidade na cena eletrônica?

Faça o seu trabalho e não queira fazer igual os outros. Cada um tem seu tempo, e a perseverança, somada ao esforço e dedicação, fazem ir longe e por muito mais tempo. Faça o seu, não ache que existe um atalho pra chegar lá, existe trabalho.

 

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